Ela estava a caminho da porta para dizer que tinha f mudado de idéia quando ele voltou.
- A reserva está feita. Começa depois de amanhã. - Ele entregou-lhe uma folha de papel com uma descrição detalhada do chalé e de como poderia chegar lá. - A estação mais próxima é a de Kilrossan. Diga à sra. McEwen o horário do seu trem. E ela vai buscá-la. - Ele fez uma pausa? - Fiz a reserva em seu nome de solteira. Espero que não tenha problema.
-Inteiramente apropriado - ela disse. -Nas atuais circunstâncias.
Ela nutria alguma esperança de que ele fosse se oferecer para ir junto. Mas ela recusaria, é claro. Seus votos de casamento podiam ter sido totalmente insignificantes mas, diferentemente de Zac Efron, tinha a intenção de mantê-los, mesmo pelo pouco tempo que ainda restava.
Ela disse:
- É melhor eu ir para casa e começar a arrumar as malas. Tenho de ser discreta, ou Penny vai suspeitar.
- Diga-lhe o que ela quer escutar - ele completou. - Deixe-a pensar que você está partindo para encontrar seu marido, mas que vai ser surpresa.
- Por que eu não pensei nisso antes? - Ela foi até ele, levantando o rosto para beijá-lo. - Você vai ficar bem se Zac aparecer fazendo perguntas?
- Não vai - ele disse. - O orgulho dele não iria permitir.
- Vou sentir saudades. Me avise quando a área estiver limpa e eu volto.
- Vou sentir saudades também. - A boca de Simon ficou quente de repente e apaixonada, junto à dela. Foi o primeiro sinal de emoção verdadeira que ele demonstrou naquela manhã, e Vane tentou corresponder com igual ardor. Mas não era fácil quando se sentia tão apreensiva, então acabou se soltando suavemente dele.
- Sinto muito, querido. Não consigo pensar em outra coisa a não ser sair daqui.
Ao caminharem até a porta, o braço dele sobre os ombros dela, ela disse:
- A propósito, o que aconteceu com os castiçais?
- Castiçais?
Ela apontou para a lareira.
- Os de prata que costumavam ficar ali.
Simon sacudiu os ombros com indiferença.
- Tia Célia, provavelmente, os guardou antes de partir. Vão voltar ao lugar deles.
Ela olhou-o de soslaio.
- Você parece triste novamente.
- A Escócia é muito longe e duas semanas parecem uma eternidade.
- Vão passar logo - ela disse. - E então vamos ficar juntos novamente. E dessa vez para sempre.
Quando o carro dela dirigiu-se para a estrada, ela virou-se para acenar, mas não havia ninguém, pois Simon já havia entrado em casa.
Como se ele não conseguisse suportar vê-la partir. No entanto, em vez de sentir-se contente, de repente percebeu que estava tremendo. E desejava saber oi motivo.
Até agora tudo estava indo bem, pensou Vane enquanto o trem expresso percorria os quilômetros entre Londres e Glasgow.
Sair de Manor tinha sido mais fácil do que ela esperava. Penny tinha engolido a história sobre encontrar Zac em Londres.
Penny sabia que Vane e Zac nunca dividiam o mesmo quarto quando ele estava em Manor. A não ser que ela ache que ele faz visitas secretas quando as luzes estão apagadas, pensou Vane, rindo por dentro.
Na verdade, a única vez em que Zac entrara em seu quarto fora na noite do casamento. E pelo tempo mais breve possível.
O pai tinha morrido, em paz, apenas uma semana após o noivado. E o casamento ocorreu um mês depois. Uma cerimônia no cartório, com Leonard Henshaw e sua esposa como as únicas testemunhas.
Depois foram para a Itália para o que era para ser a lua-de-mel.
- É a convenção - Zac disse quando ela tentou protestar. - E, de qualquer maneira, gostaria de mostrar minha casa para você. Isso... lhe agrada?
Ela engoliu.
- Não vai estar muito quente em Roma nesta época do ano?
- Tem uma piscina - ele disse. - Você gosta de nadar?
Ela teve uma repentina visão da piscina de High Gables e de Simon jogando água nela, dando risada sob o sol.
Ela virou-se.
- Gostava. Não mais.
Mas tinha de admitir que a casa nos arredores de Roma era linda, apenas um pouco sombria, com o piso de mármore e os móveis antigos. Era mais velha do que Manor, e maior também, com um labirinto de passagens e quartos, quase todos com tetos ornamentados e paredes com afrescos, e a maior parte deles precisando de conservação. Também necessitava de considerável número de funcionários para administrarem-na, e, para surpresa de Vane, estavam todos alinhados esperando para dar-lhe as boas vindas.
Mas, se soubessem, ela pensou com amargura, que sua nova condessa era uma completa fraude...
Designaram-lhe a maior cama que já tinha visto, e as empregadas que desfizeram as malas para ela estavam trocando sorrisos de conspiração, como se tivessem escolhido a mais linda camisola branca bordada.
Parecia óbvio que o cenário estava sendo organizado para o ritual de consumação do casamento de Efron. Ficou mais nervosa do que já estava quando descobriu que havia um acesso direto de seu quarto para o quarto ao lado, um aposento que continha todos os traços de uma ocupação masculina. E percebeu que, embora a porta tivesse uma tranca, não havia chave.
O jantar foi servido muito mais tarde do que ela estava acostumada, e embora a comida estivesse deliciosa, estava sem apetite para comer e para apreciar o vinho.
Precisava, ela pensou, ficar muito, muito sóbria.
E, mesmo sem estar com fome precisava fazer a refeição durar o máximo possível.
- Você parece cansada - Zac comentou.
- Um pouco - ela respondeu com precaução. Estava, na verdade, morta de cansaço, mas não iria admitir.
- O dia foi longo - ele disse, confirmando todos os seus maiores medos quando acrescentou: - Sugiro que você vá se deitar. - Ele fez uma pausa. - Você consegue achar o caminho para seu quarto?
- Claro - ela disse rapidamente, caso ele se oferecesse para acompanhá-la.
- Se você se perder, grite que salvadores irão imediatamente aparecer. - Ele sorriu. - Você é um objeto de fascinação para a casa inteira, entende?
- Sim - ela respondeu tensa. - Percebi isso. Zac estava encostado na cadeira, os dedos acariciando a taça de vinho.
- Você estava linda hoje, mia cara - ele disse calmamente. - Seu vestido estava muito bonito.
- Usei-o uma vez, quando papai me levou para Ascot. - Ela lembrou-se com tristeza de como escolhera com alegria o vestido de seda cor creme na altura dos joelhos. - Espero que você não se importe.
- Se você já o tivesse usado centenas de vezes, mesmo assim estaria linda.
A conversa estava tomando rumos pessoais demais, ela concluiu, e puxou a cadeira, fingindo bocejar. -Acho que talvez você esteja certo. Ele também levantou-se.
- Então desejo-lhe boa noite.
Ela murmurou alguma coisa, tentando não se apressar de forma óbvia demais. Pelo menos ele não tentara beijá-la, ela pensou, subindo as escadas. Nem a estava seguindo.
Mas respirou com mais facilidade quando chegou ao quarto e, tendo dispensado a empregada que a esperava para ajudá-la, tomou banho e escovou os dentes. Depois colocou a camisola que Penny substituiu pelos pijamas de cetim que queria ter trazido e deitou-se naquela cama imensa.
Era um monstro de cama muito confortável, Vane descobriu, e o linho estava perfumado com essência de rosas. Mas ela não conseguia relaxar. Ficava observando a porta de comunicação, perguntando-se o que faria se ela se abrisse, e temendo o momento em que fosse chamada para tomar uma decisão.
Mas exatamente quando resolvera que era seguro apagar a luz e dormir, escutou um barulho e viu Zac de pé à porta. Estava descalço, sem jaqueta e sem gravata, e a camisa meio desabotoada, revelando a pele morena do peito. Pelo que pareceu uma eternidade, eles ficaram se olhando. Vane ficou transfigurada, o coração batendo desordenadamente, a boca seca de repente. Esperava que ele dissesse alguma coisa, que fizesse alguma coisa.
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